Não quero lhe falar, meu grande amor…(ou Síndrome de Nilton Cézar)

Sala-de-Aula-EFOA

Abril / 77

Edgard estava comendo a professora de Biologia!

A Taís Maria, nossa mais gostosa professora, estava dando para o meu melhor amigo.

Eu era vidrado na boca maravilhosa, principalmente quando falava: heterozigóticos!

 

Maio / 77

O Dojardim anunciava que se acabava na mão pela professora de Inglês.

O Vesguinho jurava que já tinha passado a mão na professora de matemática quando acabou a luz.

Quincas não acreditava e eu sentia muito orgulho. 

… é o condicionamento hereditário de um gene que se comporta diferentemente em machos e fêmeas em função de fatores não-genéticos, como hormônios. 

Que boca, meu Deus!!!

Junho / 77

Durante a festa junina, depois dança da quadrilha, a Taís Maria levou o Edgard para trás da cadeia e deixou que passasse a mão nos peitões.

Toda quadrilha viu.

Cuidado para não se queimar.

Olha que a fogueira já queimou o meu amor.

Julho / 77

Edgard quis falar em particular comigo.

— Precisa que dê um jeito no marido da pró!

O pilantra da Taís Maria, todo o bairro saiba, cansava de dar na cara dela.

Fez isto sempre até um dia os freios falharam e meteu o carango em um poste e ficou aleijado, encadeirado. Só mexia do pescoço para cima.

— Faço não.

— Você me deve uma…

— Faço não.

— Deve sim! — e riscou um fósforo.

Tinha que pagar. Tinha minha moral.

— Faço se a fessora fizer uma gulosa federal nimim.

Levei um tapão que me deixou muito triste.

 

Agosto / 77

Prova surpresa de Biologia.

Fui o primeiro a entregar e a Taís Maria olhou e não deixou sair.

— Senta e aguarde!

Prova acabou. Todos foram.

Fiquei eu e a ela.

— Então fessora?

Ela foi até a porta, olhou no corredor, trancou e ajoelhou.

Mandou chegar perto e no meio do caminho caiu de boca.

Devorou. Mamou e eu gritei: BABALU!!!!!!!!!!

 

Setembro / 77

Fui dispensado do desfile: dor de cabeça.

 

A futrica era a seguinte: tinha que, na miúda, ir até a casa da professora e empurrar o folgado escada abaixo.

Cheguei lá práládemarrakech. Cuba Libre. Tomar coragem.

Pulei a janela dos fundos.

Subi a escada e encontrei o alejadinho assistindo a televisão: “O Homem de 6 Milhões de Dólares

Dei uns tapas de lei. E falei o motivo da minha visita e o pilantra perdeu a cor.

Ficou implorando por misericórdia.

Suplicou pela minha consideração.

Rogou que desistisse da minha empreitada.

Expôs em prantos que faria qualquer coisa que eu quisesse: não é que é uma boca tentadora também?

Pedi um boquete sideral.

Consumiu tudo. Engoliu e eu gritei: PEPE LEGAL!!!!!!!!!

 

Outubro / 77

Já tinha refugado no Dia das Abelhas, o de São Francisco de Assis, o do bóia-fria, do deficiente físico, da criança, do professor, do eletricista, do pintor de parede e carro, do pára-quedista, do sapateiro, da balconista e da dona de casa.

Edgard me deu uns bofetes e disse que a fessora estava cansada de voltar e encontrar o pilantra: “Vivo e rindo sem saber, nem o como, nem o por quê”.

A parada não podia passar do Dia da Bandeira.

 

Novembro / 77

Falaram que foi do coração.

Sorte que tossiu e deu tempo para tirar o meu!

O catitão findou sorrindo “pacaralho”!

 

Dezembro / 77

Passamos de ano e logo depois a Taís Maria mandou o Edgard cantar em outra freguesia.

Voltou com um antigo namorado: o mecânico.

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