Fort Apache

mini fort apache box mark-nfa

Aiô Rinty!

Fiz muito troca-troca com o Vitório!

Ia na maciota. Dava um jeito de ser o primeirão.

Ele cedia e eu metia as fichas, os peitos e até as bolas!

Já a única exigência do viadinho era ser agasalhado no Fort Apache: o porão da casa da minha tia Jandira!

Topava, pois sabia que na minha vez de arrebitar: mãe me chamava!

Vou deixar cair!

Em uma terça chuvosa, nada para fazer

… e lá vamos nós!

No meio do arregaço: minha tia Jandira chutou a porta e pegou o bunda-gorda com o calção na boca.

Gritou que o mundo estava acabando.

Acho que vi um gatinho?

Rezou como se Deus fosse surdo.

Raios, raios triplos!

O covardão fugiu e sobrei para ouvir que queimaria no fogo do inferno.

Que meu pinto ia virar uma lagartixa.

Que à noite iria contar tudo para o meu pai!

Yaba-daba-duuuuuuuuuu!

Tinha medo de algumas coisas na vida e todas eram o meu pai.

Minha tia me fudeu!

Sebo nas canelas, Scooby!

Fiquei vagando pelo bairro. Pensando em sumir. 

Esta mensagem se autodestruirá em cinco segundos.

Grilado, me vi na frente da casa da Roberta.

Ela sozinha estava brincando no alpendre.

— Que tá fazendo?

— Dobraduras… quer fazer?

Subi no portão e fiz uma entrada de Tele catch. Dei o meu mortal salto mortal.

— Quero.

Quem sabe, então, você me dá o seu amor?

Roberta me ensinou a fazer cavalos marinhos, garças, macacos, rinocerontes e vacas.

Fiquei gostando dela. Ali. Naquele instante.

Anoiteceu e ela teve que entrar. Voltei encantado para a minha casa. 

Onde o arco-íris é ponte!

Meu pai me esperava no portão. Sorri e mostrei um cavalo marinho e ali mesmo levei a terceira maior surra do bairro: com fio de ferro molhado.

Não chorei na frente dele.

A lembrança dobrada fez me acalentou.

Minha tia de remorso me deu um autorama do Fittipaldi.

Ai, que linda namorada você poderia ser se quiser ser somente minha.

Aprendi gatos, ratos e peixes.

Vimos “O Roberto Carlos e Diamante Cor de Rosa” quase de mão dadas.

Aprendi dragões, leões, tigres e corujas.

Ofereci música na quermesse.

Levei para conhecer o meu forte. Ela gostou!

Sem você. Minhas noites são tão tristes! Vou morrer…

Numa quinta, o Vitório me convidou para a casa dele: queria brincar com meu autorama.

Na segunda volta, ele me mostrou um caderno de enquetes. Vi que Roberta tinha respondido. Li que ela possuía um grande sonho: beijar Vitório na pracinha!

Beijar o arrombado!?! Ela me fudeu! Ele me fudeu.

Oh, céus! Oh, vida! Oh, azar!

O dengoso ficou me rodeando para uma troca depois da última volta.

Topei e exigi que fosse ali e de janela aberta.

Foi.

Fui.

Quando estava até o talo, dei o grito: Awika!

Dona Alice, mãe dele, entrou e o Vitório foi fatiado com um pano de prato molhado! 

Lá em casa todos meus amigos, meus camaradinhas me respeitam!

Em casa: peguei todas as dobraduras.

Todo homem que vacila: a mulher passa pra trás. 

Joguei tudo no alpendre. Chutei os vasos. Soquei a porta.

Chamei a Roberta. Fui para o meio da rua.

Você é desssprezível! 

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