Baratas!!

Baratas 2

Pleno sábado quente.

Eu vendo televisão, pensando em que peça irei filar um gratuito.

Companhia.

Imagino que o vizinho do 1401, em baixo do meu, avisando que iria fazer muito mais barulho. O otário estava mexendo em um encanamento entupido.

Atendo.

Não era.

Era a fabulosa do 503!

Uma meninota de mais ou menos trinta anos e com a segunda melhor bunda que meus olhos já cobiçaram. E um bucetão respeitado!!

Moro por aqui há quase dez anos. Há dois aquela sensacional me encanta. Criei até esquemas: ela estando no hall, deixo entrar antes, peço licença e vou para o fundo do levador, afinal descerei no último andar, fico encostado no fundo, em uma cadeira chinesa: me farto. Ou ela entrando quando descemos, gentilmente vou para o fundo e aprecio. No térreo pulo para abrir a porta e lambo com a testa.

— Pois não?

— Perdão, mas preciso de ajuda…

— Por favor… — e ela entrou em meu apartamento. Chorava e portava um florido vestido de musselina que realçava todo o volume, profundidade e a quarta dimensão daquele traseiro. Ela era um tipo mignon, baixa, pernas fortes e um longo cabelo preto. — O que houve, querida?

— Me perdoe mais meu marido… sei lá… deu um troço nele e está querendo me matar.

— Mas?

— Sei lá… ciúmes… disse que tenho caso com todo mundo daqui… — levei ela até o sofá desejando ter um caso ali mesmo. — Consegui fugir, mas fiquei com medo e vergonha de descer… resolvi vir até aqui, buscar ajuda com o senhor…

— Pode me chamar de você.

— Tá… você …

— Fez bem… quer que chame a polícia?

— Não… por favor não… ele é muito bom para mim… deve ser uma fase…

— Tá…  quer uma água, chá, tenha uma cerveja ou o meu amor?

— Como?

— Água?

— Água…

Vou buscar lamentando não ter nenhum “boa-noite-cinderela” para dar servir. Daria um e meio e me fartaria. Frente, fundo e arredores.

Quando volto ela está vendo minha coleção de revistas em quadrinhos. Distraidamente, curva-se para pegar uma de baixo: “As Aventuras de Diana”. Ela está sem calcinha!! Temi ali que não seria a segunda melhor, acreditei que era a quase primeira. Estava toda exposta. Panorâmica! Mechamando!!

Engasgo, tomo água e volto para a cozinha. Penso que a coisa deve ter ficado muito ruim para a gostosinha ter fugido sem calcinha. Oba!

Volto com um segundo copo e ela está sentada no sofá lendo com um cruzada reveladora. Saia quase levantada. Mostrando alguns pelinhos. Oba e oba!

Pega o copo. Bebe devagar. Tira os olhos da revista e me arpoa.

— O senhor me quer?

— Chame de você…

— Quer?

— Sim.

— Vem…

Ela caminha até a poltrona do lado oposto a porta de entrada. Apóia as mãos no encosto. Levanta o vestido e me brinda com o seu biscoito lambuzado. Arreganha.

— Vem.

Fui. Beijei a fenomenal.

Lambi o mais fino biscoito. Tirei a minha calça.

Afinei a ponta e senti uma forte coronhada.

Cai e bati a cabeça na mesinha de centro.

Não desmaiei não. Deu para ver o maridão entregando uma calcinha para a formosa do 503, enquanto apontava um revolver para mim.

Segurei a peruca. Não desfaleci e tentei me levantar.

Bastou para maravilhosa do 503 me dar um chute na boca.

Aquietei.

Os dois me encaravam.

Ela com ira. Muita fúria. Muito ódio.

Já ele só com uma raivinha.

Respirei devagar, tentando imaginar uma rota de fuga. Não havia.

Gritar tomaria um tiro na boca.

Sair na mão não sei se conseguiria. Afinal sou um senhor.

— Você lembra de mim? — questionou a maravilhosa do 503 com o joelho em meu peito.

— E a madame do 503? — levei um murro no meu olho esquerdo.

— Lembra? — optei por ficar calado. — Não seu degenerado? Seu crápula-filho-da-puta? Vai me dizer que não lembra de Procópio?

E a luz foi feita: A sensacional do 503 era a mitológica do interior!! A Segunda melhor bunda era também a primeira!

— Procópio? Não senhora — agora foi o maridão que enfiou um chute em minhas costelas enquanto ela esmagava os meus bagos.

— Você não imagina o que ela passa? O que ela sofre com o que você fez? Tem dias que acorda gritando…

— Fiz o quê?

Eles me erguem do chão para simplesmente meterem chutes em meus joelhos e duas coronhadas na testa. Deito.

 1994

Tínhamos um golpe muito bom: Iamos para uma pequena cidade do interior. Espalhávamos cartazes informando que promoveríamos um curso gratuito de modelo e manequim. 

Dez aulas inteiramente grátis!

Nas cinco primeiras, coalhadas de mulher de todas as idades, cores e gostos, falávamos da vida de artistas, das dificuldades e como erámos famosos na capital. Vez por outra montávamos um esquete com as participantes. 

Na sexta aula começávamos a ensaiar para o desfile final.

Acontecesse o que acontecesse todas eram maravilhosas, lindas e muito talentosas.

Todas se sentiam umas Cindy Crawford!!

Na oitava aula aparecíamos com, pelo menos, vinte convites para cada participante. Teriam que vender.

Na décima aula todas acertavam.

No desfile final estávamos em outra cidade.

— Juro nunca vi mais gorda.

— Seu pervertido!! — Uma bolacha Classe A em minha face esquerda. — Um dia passando pela frente do prédio,  vi você! Tive vontade de matá-lo ali. Você me olhou, sorriu e cumprimentou. Percebi que não me reconheceu. Fiz que fiz até que consegui um apartamento aqui e planejei. Pensei em enfiar a sua cabeça num capuz e fones de ouvido e colocar para ouvir, durante horas, o Tchan na Selva. Ou prender suas mãos as mãos nas costas e depois pendurá-lo ou, a minha preferida: arrombá-lo mais de Mil vezes, suturar tudo e arrombar de novo! E nas horas de descanso enrolar o seu pau em um fio desencapado de 220 volts! — achei melhor dispensar qualquer comentário.

 

Em Procópio fizemos como manda o figurino. Porém me encantei pela bunda mais admirável, assombrosa, eletrizante, espantosa, estonteante e singular que já tinha visto!!

Cerquei. Cantei. Prometi mundo e uma novela na Globo. 

Na sétima aula, apliquei o velho truque de relaxamento á dois. Solicitando que todos se despissem, Em duplas teríamos que massagear o parceiro. Habilmente deixei a fabulosinha sem par e fui fazer o exercício com ela. Bunda maravilhosa. Xavasca também não ficava atrás. Macia sedosa e com uma gulodice infantil. Creio que fiz gozar na minha mão. Gozo longo, profundo que a fez cair de joelho batendo a testa no meu pau. 

Depois da nona aula, despreguei a mitológica na praça.

Atrás da catedral.

Do lado da delegacia e dentro do coreto.

Três vezes cada. 

Copulei até tirar sangue.

Em agradecimento a liberei de nos pagar o convite.

Ela se despediu  dizendo se apaixonada. Cativada e que seria somente minha. 

Dias seguinte estava em outra cidade e com mil histórias para contar.

— Você prometeu e não cumpriu. Agora o meu marido vai dar um jeito em você!!

Vi o maridão tremer.

Balançava a arma.

Tilintava olhando para a mulher

Estremecia imaginando o que iria fazer comigo.

… e uma miríade de baratas fugiu pelos ralos. Da cozinha e banheiro saíram milhares. Em segundos cobriram o chão da sala.

A Incrível de Procópio não se mexeu, mas o maridão entrou em desespero.

Largou a arma e saiu correndo gritando.

Peguei, me livrei de algumas baratas que entraram em meus ouvidos e calça, apontei para a fabulosa e ira atirar na testa dela. Ela abandonou o recinto com um raio.

 

Chamei a síndica e dei um escândalo: milharesdebaratasemminhacasavocêprecisafazeralgosenãochamoapolíciaeoaquieagora

Baratas espantadas.

Fizeram um ninho em meu armário.

Depois de um banho tomado. Duas aspirinas. Fui reclamar com vizinho debaixo. Pedi ressarcimento e um valor alegando dano moral, físico e espiritual.

Um escarcéu no hall. “Baratas? Sabe o que é isto?”.

Um esparramo na frente do apartamento da síndica. “Tem que fazer alguma coisa!!”.

Não ter dado queixa nem nada, deixou os dois do quinto andar em suspenso.

O maridão veio me pedir desculpas e implorar que eu não fizesse nada.

Fiz.

Pedi uma gulosa dele e o condomínio pago por um ano!

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3 pensamentos sobre “Baratas!!

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