Sonhos de uma noite de verão

14 de novembro de 1992 – Sábado

Depois de uma temporada fracassada com “Sonhos de uma noite de verão”. Não estava para muita conversa. Do nada chegou Juan com aquele jeito enjoado de malandro.

— E aí?

— Não tô pra papo, pode sentar e beber … — Não disse nada, pediu um chopp.

Bebemos o bastante para cantarmos: “Andança”, “Trem das onze”, “O samba do Arnesto”, “Saudosa Maloca, enfim de tudo.

Acordei em casa e com o Juan me sorrindo.

Senti como a minha cabeça tivesse a Filarmônica de Berlim

Tentei levantar. Tudo dói. Ressaca moral chegando.

— Que houve?

— A gente estava numa legal. Cantando e rindo à vera. Você contava historia muita engraçadas. Foi chegando um povo. Daí , você organizou um coral. Cantamos “Travessia”. Do nada , começou a implicar com um camarada. Cara que estava na dele. Você gritava que ele tinha desafinado. O carinha percebeu que o tempo podia fechar, e foi saindo á francesa. Você foi atrás dele e deu um murro na costa. Ele se levantou, não queria briga. Saiu saindo. Você deu uma voadora nas costas dele. O Carinha foi ligeiro, caiu e levantou. Ele te levantou do chão e pediu para parar, você deu uma joelhada no meio dos culhões dele. Aí o cara te deu dois murros na boca e você caiu de cara no chão. Desmaiou.

— E?

— Eu te trouxe pra tua casa. No caminho você veio dizendo que me amava

— Rolou?

— Bundinha de amigo é sagrado.